22/11/2016
Parte 1: Para afugentar o Diabo!
 

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Bob Marley ficou na saudade. Ele escutou “War In a Babylon” antes de ser gravada e salivou. Pediu a música, mas Lee Perry bateu o pé: aquela já tinha dono. “Eu tive que ser forte senão aquela seria mais uma música do repertório de Bob Marley, ainda que fosse de minha autoria.

Depois, ele fez algo muito parecido em “Three Little Birds” (a linha de baixo é muito próxima). Era a minha chance e eu a agarrei”, lembra o felizardo co-autor e intérprete da faixa no encarte da caixa “Arkology” – um bom apanhado da obra de Perry em três CDs.

“War Ina Babylon” virou um emblema da música jamaicana, abriu o horizonte de visibilidade do cantor Max Romeo e gerou um álbum homônimo, lançado em 1976, de relevância maiúscula na genealogia do reggae. Até ali um coadjuvante de luxo, Romeo ganhou reconhecimento como intérprete versátil, bom letrista e porta-voz de um potente disco-protesto recheado de clássicos – como “One Step Forward” e “Chase The Devil”.


(Capa do disco "War Ina Babylon")


Seu potencial encontrou todos os elementos de ressonância no mitológico estúdio Black Ark. O proprietário era um dos sujeitos mais excêntricos da história da música pop: Lee Perry – também conhecido como Lee “Scratch” Perry, vulgo The Upsetter, identidade secreta de Jah Lion, pseudônimo de Super Ape, apelidado Pipecock Jakxon. Little Perry para os íntimos. Como preferir. Nascido Rainford Hugh Perry, o produtor, compositor e engenheiro de som cultiva tantas polêmicas em seu currículo quanto trocas de nome artístico ao longo de sua carreira.

Da mesma forma que disputa com Bob Marley o título de inventor do reggae, também reclama pela paternidade do dub – atribuída, por muitos, ao igualmente lendário produtor King Tubby. Na bíblia All Music Guide (www.allmusicguide.com), as primeiras linhas de sua ficha técnica o apresentam mais ou menos da seguinte forma: "Alguns o chamam de gênio, outros de insano completo. A verdade é que ele é ambas as coisas mas, o mais importante: Lee Perry é uma figura central do reggae – produtor, engenheiro de som e compositor que, assim como King Tubby, ajudou a moldar a sonoridade do dub, e fez do reggae uma fatia bem servida da música pop mundial".

CANO EM SAMPA




(O polêmico Lee "Scratch" Perry)

Uma introdução e tanto. Suas indiscutíveis contribuições à música convivem com episódios bizarros, e essa mistura resulta em uma das mais intrigantes biografias musicais. Em uma de suas estocadas mais recentes, em 2002, ele deixou de embarcar para São Paulo (onde faria duas apresentações no Sesc Pompéia pelo festival Dub Mamute) sob o pretexto de que o bilhete aéreo estava amaldiçoado.

Não foram poucos os decepcionados e alguns pediram o reembolso da grana dos ingressos. Mas quem optou por assistir aos outros shows da programação não se arrependeu. O outro protagonista do festival, Mad Professor fez às vezes da casa à frente dos músicos da banda de seu parceiro Perry e lavou a alma dos presentes. “Sun Is Shining”, “Police And Thieves”, “Burnin’ and Lootin’”, “Chase The Devil” e “War In a Babylon” foram alguns dos tópicos abordados na aula de dub ao vivo, que o Sesc assistiu em duas (ou três?) noites.

Antes de cancelar seu embarque, em reportagem de Cláudia Assef para a Folha de São Paulo, Perry prometia: “depois de mim, o país vai chamar ‘Scratchzil’”. Na mesma matéria, ele comentava outras bizarrices mais lendárias que protagonizou. Em 1983, ele incendiou seu Black Ark por acreditar que o diabo circulava pelo local. “E não fiz outro (estúdio) porque não quero ajudar a Jamaica. Eles já me roubaram o suficiente" - diz Perry.

Roubaram minhas fitas e não sabiam apreciar minha música. Nem existia Bob Marley quando eu apareci. Eu escrevi "Jah Live". Se ele a tivesse escrito realmente, Jah não o teria deixado morrer. Jah vai voltar, vai voltar."

DREAM TEAM


A "treta" entre Marley e Perry não se restringe à questão de autoria dessa ou de outras músicas. A parceria fértil não demorou em mexer com os gênios explosivos de ambos. Na virada dos 60 para os 70, eles trabalharam juntos intensamente. Os Wailers encontraram na companhia dos Upsetters – banda de estúdio recrutada por Perry – o aconchego instrumental para as harmonias vocais.

Era muito músico talentoso junto. Ao trio de frente (formado por Marley, Peter Tosh e Bunny Wailer) somaram-se os irmãos Barret – Aston “Family Man” (baixo) e Carlton (bateria), uma dupla de zaga afinadíssima –, o guitarrista Alva Lewis e o tecladista Glen Adams (ex-Heptones). Um time completo sob regência de Lee Perry.




Com essa formação, Bob Marley & The Wailers gravaram “Soul Rebels”. Lançado pelo selo Trojan Records, o disco foi o primeiro do grupo a sair no mercado internacional. Musicalmente, a nova formação resultou em um salto na sonoridade dos Wailers. Na biografia de Marley “Queimando Tudo”, o autor Timothy White explica a mudança assim: “Trabalhando com os Wailers, Perry desenvolveu-os a ponto de se tornarem uma unidade com forte propensão ao rock que tipificava o melhor na exploração dos primórdios do reggae. Foi Scratch quem redirecionou o grupo em termos musicais e vocais.

Insistiu com Bob para que mudasse seu jeito largadão de cantar e os vocais de Marley de repente se tornaram pujantes, melancólicos, desobstruídos da tola ginástica de trinados que às vezes estragavam os discos de ska e rocksteady de 45 rotações dos Wailers”, escreve. E acrescenta: “E Perry não era obcecado por metais como tantos outros produtores jamaicanos; preferia uma guitarra rítmica empedernida que pudesse se ater a levadas pungentes e girasse em torno da linha de baixo, que ele permitia chegar ao primeiro plano.

Carl Barrett era um gênio no estilo de batida “one drop” do reggae (...) e tinha um sotaque que parecia o primeiro chacoalhar selvagem dentro do covil das cobras.O tempo era marcado com bastante peso, volátil, insistente como uma criança manhosa.”

Metáforas à parte, enquanto White prefere atribuir a transformação da sonoridade a uma aproximação com o rock, outro escritor encontra maior coerência na comparação com o funk norte-americano. Segundo Davit Katz, autor de “People Funny Boy” (biografia de Lee Perry), “James Brown foi especialmente uma forte influência” naquelas gravações. “Lee Scratch Perry confirma que Marley veio a ele com ‘My Cup’, uma mutação da gravação de James Brown ‘Guess I’ve Got To Cry, Cry, Cry’. Perry sentiu-se incapaz de recusá-la. E assim começou uma nova fase do reggae.”

SEGUNDA PARTE


 Clique agora e leia a segunda parte desta coluna.


Fonte: Ramiro Zwetsch - (www.radiolaurbana.com.br)

Max Romeo

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