::.Galeria do Reggae

Discoteca Básica Um guia com as 50 obras essenciais do reggae que faz o mundo balançar há três décadas.

Selecionamos os trabalhos mais autênticos, revolucionários, inteligentes e - acima de tudo - divertidos deste gênero que saiu da Jamaica para fazer sua cabeça, ganhar seu coração e suas pernas Vários Respect To Studio One (Heartbeat) O Studio One foi o vestibular dos grandes astros da Jamaica.

Capitaneado por Clement Coxsone Dodd, o selo abrigou gente supimpa como Bob Marley, Marcia Griffiths e Lee Perry. A coletânea traz estes e outros artistas, acompanhados pelos lendários Skatalites. É colocar no CD player e se deliciar com o romantismo de Ken Boothe (``Moving Away´´), os primeiros trinados de Burning Spear (``Fire Down Below´´) e uma releitura pelos Skatalites de ``I Should Have Known Better´´, dos Beatles.

Bob Marley And The Wailers One Love (Heartbeat) A coletânea cobre o período em que Bob Marley, Peter Tosh e Bunny Wailer estiveram na gravadora de Coxsone Dodd. Os Wailers mostram suas influências de doo wop, ska e rock steady interpretando clássicos aboriígines (``Simmer Down´´ e ``I´m Stil Waiting´´) e músicas inéditas. Aqui, a curiosidade fica por conta da versão abolerada de ``And I Love Her´´, pedrada dos Beatles. King Tubby King Tubby´s Special 1973 - 1976 (Trojan Records) Fãs dos efeitos inebriantes do baixo, louvemos a memória de Osbourne Radddock! Este homem, que adotou codinome de King Tubby, é o responsável pela invenção do dub, a perversão do reggae que até hoje faz a cabeça do pessoal iniciado.

King Tubby´s Special, um CD duplo, abarrotado de grooves federais, traz algumas das invenções do chapeleiro louco ao lado dos Aggovators - hoje conhecidos como Sly & Robbie. De lambuja, ouvimos as intervenções amalucadas de U-Roy, o pai de todos os DJs jamaicanos. Depois, é só lamentar a perda de Tubby, estupidamente assassinado em 1989, durante uma treta no gueto. Alton Ellis Cry Tough (Heartbeat) Alton Ellis começou no Studio One para em seguida se tornar um dos cavalos de batalha de Duke Reid - o rival de Coxsone Dodd no império do reggae.
Ellis é basicamente influenciado pela soul music, apesar de sua carreira ser mais centrada em ska e rock steady.
No CD, que cobre o período 1967-1968, ele enternece até o mais punk dos ogros nas faixas ``Breaking Up´´, ``Why Byrds Follow Spring´´ e ``Ain´t That Loving You´´. Desmond Dekker Rockin´ Steady - The Best Of Desmond Dekker (Rhino Records) Desmond Dekker foi um dos primeiros artistas jamaicanos a emplacar em terras inglesas - com o single ``The Israelites´´, de 1968. Ele também demonstrou pioneirismo ao cantar os problemas do gueto - ``(007) Shanty Town´´ - e gravar o clássico de Jimmy Cliff ``You Can Gt I If You Really Want´´. As faixas dessa coletânea datam da época mais rica do cantor, na passagem dos anos 60 para os 70, quando Dekker era empresariado por Leslie Kong.

Lee Perry Scratch Attack! (RAS) King Tubby criou a dub music e Lee Perry tratou de inventar as normas e padrões do reggae. Scratch Attack junta no CD só dois álbuns memoráveis de Perry, Scratch And Company e Blackboard Jungle Dub. As esquisitices reinam (há ruídos, ecos em profusão, brincadeiras com um dos temas de Os Três Patetas), o baixo de Aston ``Family Man´´ Barret desce a níveis timbrísticos que nem os cães conseguem ouvir e Perry perpetra um álbum clássico. Augustus Pablo Rockers Meets King Tubby´s In a Fire House (Shanachie) Augustus Pablo é o codinome de Horace Swaby, um dos bambas da escaleta - espécie de teclado usado como instrumento de sopro.

O encontro de Pablo com o pai do dub King Tubby produz faísca e uma penca de clássicos viajandões: ``Selassie I Dub´´, ``Zion Is A Home´´. Bob Marley & The Wailers The Upsetter Record Shop Part 1 & 2 (ESOLDUN) Bob Marley sem o verniz que a Island lhe aplicou. O rei do reggae une forças com Lee Perry e manda ver em clássicos, acompanhados das devidas versões dub. Vários deles foram regravados em álbuns posteriores de Marley: ``Concrete Jungle´´ (aqui, com tambores rasta), ``Put It On´´ e ``Rock My Boat´´ - que virou ``Satisfy My Soul´´ ... Upsetter Record Shop traz as primeiras colaborações do rastaman com a dupla Aston e Carlton Barret. The Abyssinians Satta Massagana (Heartbeat) Os Abyssinians se destacam entre trocentos rastas jamaicanos por harmonizarem de forma angelical, além de responsáveis por um dos clássicos da filosofia rasta - ``Satta Massagana´´. Este CD é a nova versão do seminal Satta, de 1975, com quatro faixas extras, além da bela ``Declaration Of Rights´´. Vários Harder They Come (Island) Trilha sonora do filme homônimo (que no Brasil recebeu o nome de Balada Sangrenta), The Harder They Come colocou a Jamaica no mapa da música. Revelou também o estranho mundo dos rude boys, delinqüentes saídos das favelas de Kingston.

Os hits saem os borbotões: Jimmy Cliff é o campeão, com ´´Many Rivers To Cross´´, ``You Can Get It If You Really Want´´ e ``The Harder They Come´´ - que nas mãos de Titãs e Cidade Negra virou ``Querem Meu Sangue´´. Há também Toots &The Maytais, Melodians, Slickers etc. Vários Beyound The Front Line (Virgin Records) O título desse disco poderia ser: ``Bob Marley é absoluto, mas está na hora de você conhecer outros produtos da ilha´´. Tem Gladiators (``Look Is Deceiving´´), Mighty Diamonds (a linda ``Right Time´´, um Gregory Isaacs se derramando em romantismo (``If I Don´t Have You´´); o produtor Keith Hudson brilha em ``Civilization´´ e o DJ U-Roy versa sobre a eterna ``Soul Rebel´´, de Bob Marley & The Wailers - aqui numa releitura dos Gladiators. Isso sem falar em Prince Far-I, Culture e outras pepitas rastas. Bunny Wailer Blackheart Man (Solomonic Records) É a primeira investida solo de Bunny Wailer, depois de abandonar a trupe do amigo Bob Marley. E que estréia! A banda tem em sua formação Peter Tosh (guitarras), Carlton Barret (bateria) e Robbie Shakespeare (baixo). Bunny faz uma declaração de amor ao rastafari, eternizando hinos como ``Dreamland´´ a faixa-título. Peter Tosh Bush Doctor (Rolling Stones Records) Peter Tosh detona num trabalho clássico. A banda é um primor: tem Sly Dunbar e Robbie Shakespeare, além do auxílio vocal dos Tamlins. Keith Richards dá canja nas guitarras e Peter Tosh manda os hits ``Bush Doctor´´, ``Pick Myself Up´´, ``Creation´´ e muito mais. Black Uhuru Sinsemilla (Island) O trio vocal Black Uhuru foi o rei da cocada preta na primeira metade dos anos 80. Sinsemilla é um dos melhores retratos dessa época.

Michael Rose brilha nos vocais principais, auxiliado pelas harmonizações de Puma Jones (divina) e Duckie Simpson. Em meio a essa seleção, os gols saem com facilidade: ``Sinsemilla´´, ``World Is Africa´´, ``Happiness´´; atente para Skakespeare esmerilhando no baixo em ``Vampire´´. Dennis Brown Words Of Wisdom (Shanachie) Dennis Emmanuel Brown é conhecido como ``O Príncipe do Reggae´´. Foi um dos sérios candidatos ao posto de novo Bob Marley quando o rei do reggae se mandou para o Monte Sião. É só ouvir Words Of Wisdom para saber por quê. Brown coloca seu vozeirão a serviço de belas canções, como ``Cassandra´´, ``So Jah Say´´, ``Should I´´ e ``Money In My Pocket´´. Burning Spear 100th Anniversary (Island) Marcus Garvey é um dos álbuns seminais da história do reggae. Burning Spear chora as mazelas da escravidão (``Slavery Days´´), lembra dos feitos de Marcus Garvey (ideólogo rasta) e coloca seu nome no panteão do reggae. 100th Anniversary é uma edição especial, que traz Marcus Garvey e sua versão dub num único CD.
Inner Circle Reggae Thing (Epic) Bem antes de estourarem nas paradas, os gordinhos do Inner Circle já tinha alto crédito entre a moçada do reggae. Boa parte desse sucesso se devia ao carisma do vocalista Jacob ``Killer´´ Miller, um dos melhores amigos de Bob Marley - e canário precioso.

Reggae Thing é um dos grandes álbuns do Inner Circle inicial. Cânticos rastafari com tendência soul - ``Love Is The Drug´´, ``Jah Music´´ - e músicas clássicas como ``Tenement Yard´´ e ``80 000 Careless Ethiopians´´ dão o tom. Uma curiosidade: o álbum tem participação especial do guitarrista Neal Schon, um dos líderes da banda de rock baba americana Journey.
Max Romeo War Ina Babylon (Island) Uma parte importante da história da Jamaica está contada nesse disco. War Ina Babylon nada mais é que um retrato das brigas políticas que corroíam a ilha em 1976, quando os militantes dos dois maiores partidos locais se pegavam na rua. Max Romeo manda uma interpretação poderosa, que o afirmou como um dos vocalistas mais carismáticos do ritmo de Jah. Há de se destacar também a produção de Lee Perry, além dos vocais da grande dama Marcia Griffiths. Vários Tougher Than Tough: The History Of The Jamaican Music (Island) Bíblia do reggae, documento histórico, coletânea básica. Qualquer adjetivo usado para definir essa coletânea com quatro CDs é obsoleto perto de sua importância. Tougher Than Tough tem acabamento caprichado, com textos de Chris Blackwell - o capo da Island Records e patrão de Bob Marley, Black Uhuru e outros -, do poeta dub Linton Kwesi Johnson (veja quem é ele logo abaixo) e do especialista em reggae Steve Barrow. A música é um caso à parte. A caixa dá mostras do poder cíclico do reggae - não por acaso, ela começa e termina com ``Oh Carolina´´, cantada pelos Folkes Brothers e pelo DJ Shaggy. Os ídolos estão todos ali: Skatalites, Bob Marley, Dennis Brown, Shabba Ranks...
As únicas exceções, talvez por causa de problemas contratuais - ou pura incompatibilidade com Chris Blackwell - são Peter Tosh e Bunny Wailer. Tirando esse vacilo, a caixa é perfeita. Ela faz você compreender melhor as mudanças musicais da Jamaica: o ska virando rock strady, o reggae dando seus primeiros passos e o apogeu do dancehall. Uma coletânea para catequizar qualquer incrédulo. Gregory Isaacs Night Nurse (Island) Imagine se Roberto Carlos, ao invés de lançar seu manjado CD anual, tivesse trabalhado com Liminha nos anos 80 e Dudu Marote (ou Memê) nos anos 90. Trocasse as babas por compositores ousados. Ele teria a mesma importância que Gregory Isaacs para a música jamaicana. Conhecedor do caminho do coração feminino, Gregory trabalha com o que a ilha tem de melhor. Night Nurse é clássico desde seu nascimento, com auxílio de Wally Badarou - o produtor de Carlinhos Brown. Hits: ``Stranger In Town´´ e ``Night Nurse´´. Yellowman King Yellowman (Sony Music) Winston Foster tirou a música de sacanagem do gueto e levou para as paradas de sucesso dos Estados Unidos.

Durante anos Yellowman foi dono da coroa que hoje repousa na cabeça de Shabba Ranks e Buju Banton. Este disco conta com as colaborações preciosas de Afrika Bambaata e Bill Laswell (do Material). O repertório de King Yellowman até hoje é repetido ad nauseam nos shows que o DJ faz por este mundo afora. Coisas de respeito como ``Strong Me Strong´´, ``Country Roads´´ e ``Mi Belief´´. Sly & Robbie Rhythm Killers (Island) A cozinha mais poderosa da história do reggae se enfronha no mundo do funk. Sly Dunbar (bateria) e Robbie Shakespeare (baixo) chamam Bill Laswell, Shinehead e Bernard Fowler (hoje vocalista de apoio dos Rolling Stones) para cometer um dos melhores trabalhos dos anos 80. Repertório: ``Fire´´ (musicão do grupo americano Ohio Players), ``Yes We Can Can´´ (do soulman Allen Toussaint) e músicas próprias da dupla, que manda os grooves mais contagiosos do planeta. Linton Kwesi Johnson Bass Culture (Mango/Island) Linton Kwesin Johnson, jamaicano radicado na Inglaterra, é o pai da poesia dub. Explicando: o homem joga suas rimas ativistas com métrica e ritmo de reggae - e dos mais arretados. Mas ele não está sozinho na empreitada: se faz acompanhar pelo baixo mágico de Dennis Bovell, que andou mixando até disco do Rappa.

O próprio Linton deu suas colaborações à música brasileira, recitando com seu vozeirão tonitroante em Severino, o injustiçado álbum dos Paralamas do Sucesso. Bass Culture é um doce de coco - em que se destacam maravilhas como ``Reggae Sounds´´, ``Inglan Is A Bitch´´ e ``Bass Culture´´. Steel Pulse True Democracy (Elektra) True Democracy é o ponto alto do grupo inglês: canções de cunho rastafari (``Chant A Psalm´´, ``Leggo Beast´´) embaladas pela voz límpida de David Hinds e as pancadas certeiras do baterista Steve Nesbitt. Ouça e descubra por que o Steel Pulse foi a igrejinha de gente como Sting e Cidade Negra. Aswad Live And Direct (Island) Reggae de primeiríssima categoria, tocado sem firulas e de que leva o público ao delírio. Live And Direct é um dos grandes álbuns ao vivo de todos os tempos.
O Aswad defende a filosofia rastafari (``Not Guilty´´, ``Not Satisfied´´), manda um medley de pedradas (``Rockers Medley´´) e pinta o sete em ``African Children´´. The Police Reggatta De Blanc (A&M/PolyGram) O Police não segue a filosofia rastafari, não canta as mazelas do povo negro, mas gravou um disco básico para se entender o tal ``reggae de branco´´. O álbum mistura a fúria do punk com o suingue jamaicano e dá a luz a faixas clássicas. ``Walking On The Moon´´ até hoje freqüenta os playlists das FMs pops do país e ``The Bed´s Too Big Without You´´ foi vertida para o jamaicanês pela cantora Sheyla Hilton. UB40 The Best Of Vol. 1 (Virgin Records) Os rastamen mais radicais costumam torcer o nariz para o som do UB40.
Mas o reggae com tendências pop desse grupo oriundo de Birmingham tem sua importância para o aumento da popularidade do ritmo no mundo todo. Essa coletânea tem de tudo: clássicos jamaicanos, como ``Red Red Wine´´ (primeiro lugar nas paradas americanas) e reggaes-pop bacanas do tipo ``Rat In Mi Kitchen´´ e ``I Got You Babe´´. King Jammy A Man And His Music Vol. 2 - The Computer Style (RAS) Tudo que você gostaria de saber sobre o dancehall está aqui. Jammy inventou uma batida em seu tecladinho Casio e mudou a história da música jamaicana. ``Under Mi Sleng Teng´´ teve sua batida copiada por N produtores mas não elevou seu cantor, Wayne Smith, à categoria de superstar. Computer Style dá uma boa dimensão do trabalho de Jammy como produtor.

Brilham DJs de boa safra, como Lieutnant Stitchie, Dominic e Nitty Gritty (morto durante um tiroteio com o também DJ Supercat). Vários Hardcore Ragga Vol. 1 (Greensleeves) O supra-sumo do produtor Augustus ``Gussie´´ Clarke e seu compositor, Hopeton Lindo. O CD traz os hits mais vibrantes da Jamaica no início dos anos 90. Aqui você confere os primeiros passos de Shabba Ranks em direção ao estrelato (``Mr. Lover Man´´), os trinados de respeito de J.C. Lodge (``Telephone Love´´), um hit magistral de Gregory Isaacs (``Rumours´´) e o brilho de cantores como Deborahe Glasgow e Cocoa Tea.
Maxi Priest Best Of Me (Tem Records/Virgin) Maxi tem sangue azul do reggae nas veias - é sobrinho de Jacob Miller, o falecido cantor do Inner Circle. É também uma das figuras que mais batalha pela internacionalização do reggae, passando do roots reggae (presente em seu álbum de estréia) a trabalhos com Aswad, Sly & Robbie e Soul II Soul. Best Of Me dá uma geral nos pontos mais altos da carreira do cantor, bem ilustrados em ``Close To You´´ (número na parada americana em 1990), o dueto com o soulman Beres Hammond (``How Can I Ease The Pain´´) e a regravação de ``Wild World´´, que o transformou em mestre do reggae chamego. Alpha Blondy Jerusalem (EMI Music) A África foi o continente que mais assimilou as lições de Bob Marley. Óbvio, aquele discurso de libertação bate direto com a história triste de nove entre dez nações do berço da humanidade.

O reggae chegou a ser banido das rádios sul-africanas durante o apartheid. Entre os eternos discípulos de Marley está Alpha Blondy, natural da Costa do Marfim. Numa linguagem que mistura inglês, francês e dialetos locais, o cantor junta-se aos Wailers para gravar um dos melhores discos de reggae dos anos 80. Garnett Silk Gold (VP Records) Garnet Silk segura o bastião da mudança de comportamento da música jamaicana. Tirou o sexo da boca e voltou à louvações a Jah. Gold é uma coletânea de compactos do cantor e tem belos atrativos. Um deles é ``Mama´´, que você deve conhecer através dos shows dos Titãs. Em português, a música atende pelo nome de ``Marvin´´. Shabba Ranks, Home T. & Cocoa Tea Holdin´ On (Greensleeves) Nada melhor do que ser apresentado ao mundo do dancehall através deste álbum - em que Shabba, o DJ mais pornográfico da Jamaica junta forças com os cantores Home T. e Cocoa Tea.
As pedradas ``Pirates Anthem´´ e ``Holdin´On´´ tocaram até dizer chega. Buju Banton ´Til Shiloh (Mango/Island) Buju se convertou ao rastafarianismo e fez um dos mais belos discos de 1996. Ele capricha nos duetos (o melhor deles é com Wayne Wonder, menino de ouro das jamaicanas), manda um recado para os bad boys (em ``Murderes´´) e fala que seu negócio agora é louvar o santo nome de Jah (em várias faixas). Amém! Chaka Demus & Pliers Tease Me (Island/PolyGram) Para os fãs de reggae em todo o mundo, o termo dupla significa a união entre um cantor e um DJ. O primeiro injeta doçura nas composições e o segundo preenche os espaços mandando raps em ponto de bala. Nesse terreno, Chaka Demus & Pliers são os reis. Tease Me é disco para as pistas, com as pedradas ``Murder She Wrote´´ - o single de 1993 na Jamaica -, a regravação de ``Bam Bam´´ e a faixa-título.

Shaggy Boombastic (Virgin Records) O maior DJ da atualidade. Shaggy saltou do anonimato para um contrato de um milhão de dólares com a Virgin graças ao single de ``Oh Carolina´´, regravação manhosa de uma velharia dos Folkes Brothers. Boombastic mostra que o DJ pode ir além de apenas um sucesso. Ele tira do baú musicões da categoria de ``Train Is Coming´´ (com direito ao cantor original, Ken Boothe) e ``In The Summertime´´ (hit de Mungo Jerry tirado do baú e que ressucitou o autor da canção). Bob Marley Songs Of Freedom (Island) A coleção definitiva do rei do reggae. Em quatro CDs, a carreira de Bob Marley é dissecada com maestria. O ouvinte acompanha o início de carreira do cantor, em Kingston, quando ele largou a carreira de soldador para investir na música -delicie-se com o primeiro compacto do cara, ``Judge Not´´.
Há diversas colaborações de Bob com o Studio One, de Clement Dodd, os sucessos imortais e faixas inéditas. Tudo embalado pelas bulas de Roger Steffens, o jornalista que mais entende de Bob Marley no mundo todo. Toots & The Maytals Time Tough: The Anthology (Island) Toots Hibbert inventou o termo ``reggae´´ e possui um dos gogós mais privilegiados da terra de Jah. A coletânea dupla Time Tough cobre o período pré-histórico do cantor, na época que ele cantava ska, para depois cair nas pérolas criadas pelo cantor (``54-46 (That´s My Number)´´, ``Do The Reggay´´ e ``Monkey Man´´) até os dias de hoje. Mais que essencial. Lucky Dube Prisioner (Shanachie) Ex-ator de filmes de terror, o sulafricano Dube é a nova esperança dos fãs do roots reggae. As qualidades dele são infindáveis: ele tem um timbre vocal semelhante ao de Peter Tosh, mistura seu reggae com sons afro e as letras apontam uma retomada da conscientização.

Dube declara amor ao reggae (``Regga Strong´´), fala de Jah (``Jah Live´´) e aborda temas vampirescos (``Dracula´´). Mad Professor It´s A Mad, Mad, Mad Professor (RAS) Neil Fraser é figura de ponta do dub inglês. Criador do selo Ariwa, por onde grava DJs da estirpe real de Macka B, ele elevou o reggae viajandão a píncaros nunca dantes alcançados - Mad Professor grava até com os deus do Massive Attack. It´s A Mad... seleciona as melhores faixas do mestre, com direito a um pré-jungle - a faixa ``In The Heart Of The Jungle´´, de 1984. Dub Syndicate Ital Breakfast (On-U-Sound) A exemplo de Mad Professor, o inglês Adrian Sherwood é especialista em perverter o reggae.
Esse engenheiro de som é responsável pelo Dub Syndicate, outra figura de destaque do dub inglês. Ital Breakfast, lançado em 1996, retomas as raízes da criança. Para isso conta com a participação de Dean Frazer, lendário saxofonista jamaicano, Keith Sterling (teclados, ex-Peter Tosh) e o DJ veterano I-Roy. Beres Hammond Puttin´ Up Resistance (RAS) Soul romântico, a cargo do cantor mais manhoso da ilha. Puttin´ Up capta os grandes singles do moço de voz roufenha, entre eles a faixa-título e sua releitura para ``Tonight´s The Night´´, de Rod Stewart. J.C. Lodge Love For All Seasons (RAS) Os trinados de J.C. em ``Telephone Love´´ sacudiram a Jamaica em 1991. Agora ela solta um disco com produção de Mad Professor e abarrotados de hits românticos. Tem até ``You Make Me Feel Brand New´´, mela-cueca dos Styllistics. Zion Train Homegrown Fantasy (Mesa/WEA) O futuro do reggae chama-se Zion Train.

Eles preparam um híbrido de dance music, dancehall e dub, espécie de ``mistura e manda´´ ao gosto do freguês. Mas, invariavelmente, a reação é das mais alucinantes. Reggae Brasil Gilberto Gil Raça Humana WEA Gilberto Gil é um dos pioneiros do reggae brasileiro. Excursionou ao lado de Jimmy Cliff nos anos 80 e verteu para o português o hino ``No Woman, No Cry´´, de Bob Marley. Raça Humana é um de seus álbuns mais bem resolvidos dentro do gênero.
Gil canta ao lado dos Wailers (``Vamos Fugir´´) e mostra sua genialidade como compositor na faixa-título. Paralamas do Sucesso Selvagem? (EMI Music) Pedra fundamental do reggae nacional e de todo o pop que aqui se pratica hoje - e vergonhosamente fora de catálogo -, Selvagem? Marca a maturidade dos Paralamas. Depois de sessões de dub e reggae da melhor qualidade e com a produção certeira de Liminha, o trio mostra influências de Clash e Black Uhuru e lava a égua nas clássicas ``Alagados´´ e ``A Novidade´´ - uma parceria do grupo com Gilberto Gil. Cidade Negra Lute Para Viver (Sony Music) Este disco foi um marco para o reggae carioca. Depois do lançamento de Lute Para Viver, surgiram mais de trinta bandas de reggae na Baixada Fluminense, fascinadas com o caminho aberto.

O álbum não tem o apelo pop de Sobre Todas As Forças - que transformou o Cidade em supergrupo - mas é repleto de pedradas. A faixa-título, ``Não Capazes´´ e o hino ``Falar A Verdade´´, que acompanha o Cidade até hoje, estão entre os destaques. Skank Calango (Sony Music) O álbum foi definido pela revista Beat - a Bíblia dos reggamen - como ``reggae de outro planeta´´. Resumindo: o Skank produziu música original a partir de suas influências.
A pajelança sonora é inacreditável: reggae com naipe de metais mariachi (``Amolação´´), dancehall com uai (``A Cerca´´) e lovers rock à brasileira (``Te Ver´´). O Rappa Rappa Mundi (WEA) O Rappa vem da mesma escola do Cidade Negra - a Baixada Fluminense - mas inclui corpos e ritmos estranhos ao ritmo jamaicano. Injeta scratches e mistura o reggae a elementos como samba, funk e até mesmo rock.

Rappa Mundi é um trabalho redondíssimo em que se destacam as releituras para ``Vapor Barato´´ (eternizada por Gal Costa) e ``Hey Joe´´, além de sons próprios como ``Miséria S/A´´ e ``Pescador de Ilusões´´. Walking Lions Vitrine (Eldorado) O Walking Lions é uma banda-mãe do reggae de São Paulo. De suas fileiras saíram integrantes de diversos grupos badalados - entre eles, Nando Reis. Vitrine é o primeiro lançamento do Walking Lions depois de anos de batalha. Inclui hinos das noites paulistanas de reggae como ``Boneca Robotizada´´ e ``Hey DJ´´. O povo prometidoUma interpretação muito particular da Bíblia marca o reggae O rastafarismo, uma - digamos assim - filosofia, é a própria encarnação da anarquia. Sem organização, hierarquia ou fé no poder, os rastas combinaram crenças africanas muito antigas com o cristianismo fundamentalista dos Estados Unidos, em particular a Igreja Batista. Tudo começou com um ex-escravo afro-americano chamado George Liele, que fundou a Igreja Batista na Jamaica do século 17.
Nascia aí o rastafarismo, com vários pontos em comum com o judaísmo. Assim como os israelenses, os jamaicanos sofriam com a discriminação racial e com a impossibilidade de retorno à pátria, o que fez surgir na ilha vários líderes políticos. Um deles, o sindicalista jamaicano Marcos Mosiah Garvey - o mais destacado -, perambulou pelos EUA pregando que Deus era negro. Garvey acreditava que os negros deveriam voltar para a África, de onde tinham sido arrancados para trabalhar como escravos. É dessa época a profecia atribuída a Garvey, que dizia: ``Quando um rei negro for coroado na África, é sinal que a redenção está próxima.´´ Em 1930, a Etiópia coroou o primeiro imperador negro da África.

Ras Tafari Makonnen adotou o nome de Hailé Selassié e o título de ``Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Leão Conquistador da Tribo de Judá.´´ Selassié afirmava ser de uma linhagem sagrada: descendia do casamento do rei judeu Salomão com a Rainha de Sabá. A família de Davi, pai de Salomão, gerou nada menos que Jesus Cristo. Os rastas vêem Selassié como o novo Messias. A redenção não veio, Selassié não conduziu o povo à terra prometida (África), mas os rastas se proliferaram pela Jamaica.
Eles se baseiam numa livre interpretação da Bíblia para justificar o uso da ganja (leia-se maconha). ``Ele se elevou da fumaça de suas narinas´´, prega o Salmo 18:9. Os rastas não cortam o cabelo - daí os dreadlocks - e não fazem a barba. Carne de porco, álcool e tabacos são terminantemente proibidos.
A alimentação consiste na I-Tal Food, comidinha feita a base de ervas, raízes e vegetais. Os rastas jamaicanos tiveram sua própria civilização, chamada Sociedade Para A Salvação Da Etiópia. Em 1941, a festa acabou: policiais invadiram a sede da sociedade na colina Pinnacle, em Kingston, destruindo uma senhora plantação de maconha. Os líderes foram presos. Mas os rastas não se deram por vencidos e reconstruíram Pinnacle dois anos depois.
A polícia também mostrou sua persistência - o local foi definitivamente demolido em 1954. A Jamaica se transformou então numa segunda Babilônia, considerada pelos rastas a personificação do mal. Em 1966, Hailé Selassié, em visita à Jamaica, pregou que a imigração para a terra prometida não deveria ocorrer antes da própria ilha fosse libertada. O rastafarismo ganhou um perfil político, com a participação - fracassada - do Black Man´s Party nas eleições no ano seguinte. Mas a tentativa não foi em vão: nasceu daí a
Rastafarian Moviment Organization, que compilou grupos ligados ao culto e montou o jornal mensal Rasta Voice. Só que nenhum veículo de informação se deu melhor do que as pregações musicais de Bob Marley e cia. Nos anos 70. Hoje os rastas não têm a mesma popularidade entre os jamaicanos. Mas eles ainda são a marca registrada da ilha, com seus cânticos e os inconfundíveis dreadlocks.

 
We Free Again
Groundation
Live Legends

Steel Pulse
(Reggae)


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