08/10/2012
EXCLUSIVO! Surforeggae entrevista Rodrigo Piccolo, vocalista do Mato Seco! Confira!
 


Tivemos a oportunidade de bater um papo bastante descontraído com Rodrigo Piccolo, vocalista do Mato Seco – uma das principais bandas de reggae do Brasil na atualidade. O foco da entrevista foi o novo álbum “Seco e Ainda Vivo” que será lançado no fim do ano e certamente será um marco para o reggae nacional e claro para a banda. Confira como foi essa conversa!

A ENTREVISTA


Como surgiu a ideia de convidar Errol "Flabba" Holt, um dos maiores nomes da história do reggae pra produzir o novo disco?
Piccolo: Conhecemos Flabba tem alguns anos quando tocamos junto com Israel Vibration, e acabamos nos aproximando por intermédio da música e de nossos empresários Rafael Costa e Israel Mizrach, que além de amigos dele agenciam os jamaicanos a um bom tempo aqui no Brasil. Flabba conheceu nosso som, gostou e nos falou. Daí pra frente nos encontramos outras vezes e a ideia de chamá-lo pra produzir o disco acabou surgindo acho que até de forma natural mesmo. Não é qualquer um né (risos)... É Flabba Holt! E por acabarmos estando perto dele, e conhecer ele, e nós termos a oportunidade de convidá-lo, por que não? Para nossa surpresa ele aceitou, e fez tudo com um enorme sorriso e uma disposição que nos motivou muito por todos aqueles dias que ficamos juntos. É uma pessoa especial, sem dúvida!

O processo de gravação se dividiu entre Salvador e São Paulo, correto? Sabemos que a cada disco gravado, a experiência dos envolvidos vai mudando, como foi o clima do grupo nesse sentido e quanto tempo durou a gravação?
Piccolo: Gravamos a massa do disco em Salvador. A sessão de metais e as participações, de Nazireu Rupestre e Oswaldinho do Acordeon em São Paulo. Max Romeo, Harrison e Marcus do Groundation, em seus estúdios na Jamaica e nos EUA respectivamente. Foi uma experiência bem diferente de uma forma geral, mais um aprendizado. Os dois primeiros discos foram feitos em São Paulo por Rodrigo Loli e por nós. Nesse disco além de trabalharmos ao lado de um produtor diferente que é o Flabba, trabalhamos também com um engenheiro de som diferente, que é Richard Meyer que gravou e mixou o disco. E esse foi um enorme desafio para nós... Conseguirmos passar o que desejávamos com o disco. Mas tudo fluiu naturalmente sabe. Ficamos aproximadamente 20 dias convivendo todos juntos no Oppi que é um espaço artístico em Salvador, e que foi como uma casa-estúdio para nós. Dormimos ali, acordamos ali, ensaiamos ali, gravamos ali... Ali decidimos os próximos passos a serem dados e como seriam. Foram dias grandiosos e isso nos fez crescer ainda mais como família e como profissionais.

As letras do Mato Seco são conhecidas por serem inteligentes e com mensagens importantes, sobretudo no contexto em que vivemos hoje no Brasil. De onde você tira a inspiração para falar dos temas que aborda nas suas músicas?
Piccolo: Tudo é Deus, com certeza! Ele é a inspiração! E são palavras que precisam ser ditas. Não são novas, pelo contrário. São palavras que vem sendo faladas há muito tempo e por muitas pessoas.
Precisamos de mais amor, de justiça, direitos iguais, respeito pela vida, paz! E é a realidade do que vivemos hoje em dia. A vida, o dia a dia que influencia. O povo caindo no esquecimento e aceitando isso a cada dia mais, confundindo diversão com alienação e cultivando cada dia mais a escravidão que ainda existe, mantendo o pobre cada vez mais pobre... O que está embaixo, cada vez mais embaixo. E o povo não percebe isso. Tudo é ostentação pelo material, e banalização da sabedoria... E o pior é que aceitamos isso, quando nos entupimos de álcool e drogas, quando achamos engraçados em diversos segmentos, conteúdos apelativos e ignorantes. O reggae é a voz do povo, do oprimido, dos que não tem voz, e através dele tentamos somar na vida das pessoas. Seja socialmente ou espiritualmente.

Como se deu a aproximação de vocês com o Max Romeo, Groundation, Nazireu Rupestre e Oswaldinho do Acordeon, nomes que fizeram participação no novo CD?
Piccolo: Somos fãs e admiradores de Max desde a adolescência, e tivemos a felicidade de tocarmos juntos algumas vezes também e nos conhecermos, assim também foi com Groundation, com quem nos identificamos muito. Do contato que tínhamos e da amizade que acabamos cultivando com eles, surgiu a idéia e a oportunidade de fazermos os sons juntos, e de chegar nesse disco também. Nazireu são amigos que também conhecemos na estrada e que temos grande afinidade, e a música juntos é a primeira de muitas para realmente selar essa comunhão. Oswaldinho é uma pessoa incrível... Abençoada. E me sinto abençoado por podermos estar perto dele. Conhecemos ele por intermédio do DJ Gus que trabalha conosco e também com ele. Gus apresentou a banda a ele e ele gostou bastante, o que já despertou a vontade de fazer algo juntos. Daí pra frente foi inevitável a parceria, que também rezo que seja a primeira de muitas.


(Rodrigo Piccolo - vocalista da banda Mato Seco)


Recentemente vocês fizeram uma grande turnê com Groundation e The Abyssinians. Como foi dividir o palco e conviver com essa galera e também a participação do pessoal do Groundation tocando "Gueto do Mundo", umas das faixas do novo cd?
Piccolo: Já tivemos o privilegio de fazer algumas turnês e estar ao lado de alguns arquitetos do reggae. Com o Groundation já tocamos algumas vezes nas outras vezes que eles vieram ao Brasil. Dessa vez fizemos a turnê toda juntos, Mato, Groundation e Abyssinians... Passamos por várias capitais vivendo noites inesquecíveis ao lado deles. Em Brasilia, Harrison Stafford e Marcus Urani se juntaram a nós no palco e tocamos “Gueto do Mundo (Ghetto of the World)”, música que gravamos juntos e está no disco novo. Em Florianópolis, no ultimo show, juntamos no palco o Mato, Leões de Israel (banda que estava tocando com Abyssinians,) e Kim Pommel e Marcus do Groundation. Fechamos com chave de ouro. As noites e o dias ao lado deles foram dos mais agradáveis possíveis.

Todos eles tem uma simplicidade e um prazer enorme de estar aqui... Uma gratidão pelo respeito. Abyssinians são como professores para nós há muito tempo. São a distância, pois já perdi as contas de quantas vezes já cantei ou cantarolei a música deles, ou quantas vezes a voz deles tocou no meu rádio, e foram pessoalmente também. Eles tem a experiência e o aprendizado que a vida e o reggae deu a eles e fazem questão de passar esse legado adiante. Me peguei algumas vezes conversando com Bernard Collins o líder e vocalista deles e em algumas dessas conversas ele disse bastante: “O Reggae nunca vai morrer, nós estamos juntos aqui para isso... como Bob Marley disse a muitos anos atrás, o Reggae nunca vai morrer... Fique firme fazendo o trabalho que você faz!”

Mato Seco é hoje uma das principais bandas do reggae nacional e conta com fãs em todas as regiões do país. Como você acha que esse CD vai contribuir para abrir ainda mais novos horizontes pra banda na cena?
Piccolo: É um grande disco, com grandes pessoas envolvidas, feito com muito carinho, com cuidado... Foi muito bem cuidado! Tem grande participações... Estamos muito satisfeitos e esperamos que ele fale bem dele mesmo por aí. (risos) Além disso estamos mais firmes e focados no caminhar, e tentando falar de uma forma geral a todos, sem distinção. O Reggae é para todos! Sua música tem muito sentimento e suas palavras trazem Luz a muitos... Permita-se... Pois o Reggae é para todos! Esse disco novo reflete muito isso, é um tiro certeiro para nós. Conseguimos expressar da melhor forma o que sentimos ao fazer as musicas. Como um todo! E acreditamos que vai chegar de uma forma direta as pessoas. Mas o trabalho é basicamente o mesmo que já fazemos. Levar a Paz e o Bem através da música, tentar somar através da música e do amor. E o amor por si só quebra barreiras e nos apresenta horizontes incríveis. Mantém acesa e viva nossa esperança pelo melhor, e nos faz não parar.

Algumas músicas da banda no youtube chegam a ter dois milhões e meio de acessos. Quais fatores você acha que foram chave na caminhada do Mato Seco para que a banda conquistasse tanta gente?
Piccolo: Falamos de gente, de amor, de vida... E isso nos aproxima. A todos nós. Somos o que somos e tentamos passar isso através das músicas e de forma simples. Somos todos iguais, todos sorrimos, choramos, brincamos, brigamos, aprendemos, ensinamos... Entre erros e acertos, sempre buscando o melhor e com infinitas possibilidades para tudo que há de melhor. Como milhares por aí, querendo mais paz, mais amor, um mundo mais justo, a natureza mais cuidada e preservada, a vida mais respeitada. Nem todos os dias são de vitória e às vezes precisamos de uma palavra de levante sabe... Uma palavra que muitas vezes a música noz traz. Acho que isso acaba aproximando nós de todas essas pessoas que ouvem a nossa música e que sentem ela como nós sentimos.

Como foi o processo de mixagem e masterização do novo CD "Seco e ainda vivo"?
Piccolo: Flabba produziu e participou de toda a gravação, e já deixou tudo muito bem encaminhado para os passos seguintes. A mixagem foi feita no visgodejac@estudio em Salvador. Eu, Tiago, João e Junior, ficamos uns 20 dias a mais junto com Richard Meyer, que foi quem gravou e mixou o disco. A mixagem é talvez a parte que considero mais difícil e Richard deu uma atenção realmente especial tanto a gravação quanto à mixagem, estudando muito os timbres, as nuances que queríamos dar às canções.

A gravação e a mixagem foi em grande parte feita à moda antiga, com aparelhos analógicos das décadas de 60 e 70, e isso ajudou muito a criar uma atmosfera mística e ancestral, das raízes da música mesmo. Terminando a mixagem o disco foi para as mãos de Mike Caplan e Jim Fox do Lion & Fox Studio em Washington para ser masterizado. Jim Fox e Mike Caplan são indispensáveis na história do reggae, dada a grande experiência e extensa caminhada por várias linguagens diferentes. Quem ouve reggae e ouviu alguns dos nomes mais importantes do reggae ao longo dos últimos 20 anos, com certeza já ouviu algo desse estúdio e desses caras. Além do nosso interesse em fazer com eles e um ótimo histórico, Flabba tambem fez questão que eles masterizassem o disco. E aí sim, só com a aprovação do Big Boss Flabba Holt é que chegou o “Seco e ainda Vivo”! (risos)


(Piccolo, ainda com dreads, com "Navegantes da Ilusão")


Além do lançamento do novo CD, o que os fãs do Mato Seco podem esperar para logo mais?
Piccolo: Estamos produzindo junto com a Sapuari Filmes nosso primeiro videoclipe oficial. Vai sair também o “making of” da gravação do disco em Salvador. Esse ano também Mato faz 10 anos de caminhada e queremos registrar esse momento, pois daqui virão mais 20, 30 anos, se Jah permitir... Mas esse ponto que estamos é primordial, esse disco, e queremos guardar isso de alguma forma.

O novo single "Sobre todo mal" foi bem aceito na internet e vocês já estão tocando várias músicas novas nos shows. Sabemos que a banda fará uma turnê de lançamento do novo álbum prevista pra começar no fim do ano. O que o público pode esperar de diferente nesse novo show?
Piccolo: Estamos tocando alguns sons novos há um certo tempo, inclusive “Sobre todo o mal”. O bom é ver que essas canções já são requisitadas pelas pessoas nos shows. Faremos o lançamento no fim do ano junto com o clipe, o novo site, e estamos preparando um novo show. Faremos o que fazemos... O tradicional reggae! E tentamos valorizar ele ao máximo, trabalhamos para que chegue da melhor forma possível à todos, com cuidado e carinho. Nossa entrega sempre será maior, dia após dia. E convido a todos que cheguem e vejam a que se refere minhas palavras.

É um prazer ter você falando pros visitantes do Surforeggae representando o Mato Seco que tem bastante respaldo no cenário nacional! Sabemos que no intervalo das músicas durante os shows você gosta muito de discursar, sempre falando palavras interessantes e de conscientização pras pessoas. Qual seria sua mensagem agora para os que estão lendo essa entrevista?
Piccolo: As palavras acontecem de forma espontânea e natural no palco, não é nada idealizado antes. A música nos permite isso, pois ela é para nós de grande aprendizado também e cada momento pede suas palavras a serem ditas. A ideia é sempre somar. Agora... Que celebremos a vida, o sorriso, o amor... E que nesse mundo de idolatrias que vivemos, se idolatrarmos algo, que seja o amor... Em tudo que fizermos.

Amor por nós mesmos, pela natureza e pelo próximo.
Obrigado sempre pela força ao Reggae, Surforeggae! Paz e Bem a todos nós!


Fonte: Rafael Surforeggae





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