28/01/2022
Emancipao da Escravido Mental!
 


Um breve comentrio sobre "Racismo reverso". Brancos podem sofrer racismo?

Saudaes a todos em Nome de JAH Rastafari I. Lembranas da Me Terra.

Para iniciar esse raciocnio necessrio partimos da premissa de descolonizarmos nossa viso da histria da humanidade, principalmente das lendas que so contadas nas escolas sobre o nosso passado. Os livros do ensino mdio infelizmente se tornaram um palco de controle da escravido mental.

Filmes, documentrios da TV e Youtube tentam reproduzir uma fatia magra de casos absurdos distorcidos dentro de uma falsa narrativa secular, que ao invs de nos esclarecer nos confunde, colocando os conquistadores, dominadores e Imperadores - brancos, europeus e cristos - no centro da histria. Geralmente tratados como heris, os exaltados do "euro centrismo" so - muitas vezes - assassinos, o que figura uma espcie de lavagem cerebral, uma verdadeira desconexo entre o que contado e a realidade dos fatos.




Muitas narrativas e documentos milenares dos povos ancestrais foram queimados, das eras do romanismo at as inquisies do "vaticanismo", e a voz do deserto, a boca do pobre e preto perseguida e calada. O mundo foi embraquecido.

QUEM DESCOBRIU A AMRICA?


Primeiramente, o continente Americano como um todo no foi "descoberto" somente pelos europeus em 1492 depois de Cristo. Estudos de antropologia e arqueologia comprovam que a Amrica j vem sendo visitada h milhares de anos antes de Cristo por expedies com os Olmecas e Egpcios, Fencios, Chineses, Hebreus, Vikings nrdicos, enfim, diversos povos ancestrais j estiveram interagindo com nosso continente em outras condies.


(Vikings chegando na Amrica)


Existem relatos inclusive da presena do Rei Salomo na selva Amaznica do Brasil e na Bolvia, usando uma tecnologia que pode ser um avio, um jato ou mesmo uma nave, isso por volta de 500 A.C.. Existem teorias slidas que afirmam que naquela poca j existiam tecnologias e energias mais avanadas das que temos hoje em dia, algumas at considerando a existncia de portais intergalticos no antigo Egito e na extinta Atlntida.

UM PASSADO DIFERENTE DOS LIVROS


Baseados nesses fatos, j podemos entender que a presena do povo Africano e Asitico nas Amricas milenarmente anterior a condio de pobre escravizado que nos contada nos livros de histria. Na verdade, o Africano marcou presena na condio de explorador e de conquistador, e a histria fica ainda mais interessante e rica quando compreendemos que Reis da frica estiveram na Amrica anteriormente aos Portugueses e aos Espanhis, j coexistindo com os povos nativos.


(Shaka Zulu, um dos 10 mais poderosos reis africanos)


Diversos encontros e desencontros pacficos ou agressivos se deram em terra e nos mares, de indgenas a aliengenas. O encontro inevitvel entre os povos muitas vezes pode ser motivo de alianas e concubinato, mas na maioria das vezes resultou em conflito. Dentro desse contexto, a diversidade e as diferenas sempre geraram uma guerra entre as classes.

O ser humano tem uma nsia por sobrepor verdades, uma competio, uma fora opressora que sempre quer vencer o que o ope, e sobre isso que gostaria de levar e elevar sua ateno ao raciocnio deste texto.

O movimento da justia em si humanitrio. A solidariedade carrega uma paz que visa o equilbrio, perdo, harmonia e a igualdade. O imperialismo cria a injustia do rico contra o pobre, do forte contra o fraco, e o racismo - presente a milnios entre os povos - a supremacia, que se impe pela fora bruta de quem se acha mais poderoso.

Sem a busca pela paz duradoura e permanente, o veneno da vingana transforma o oprimido em opressor, e isso permeia a histria das geraes, uma babilnia sendo consumida pela outra, um drago de muitas cabeas perpetuamente mergulhado na desigualdade entre as civilizaes, promovidos e movidos unicamente pela vaidade e nunca pelo mrito. O bem estar geral e global do ser humano como um todo deveriam ser o objetivo primordial e desejo soberano de todos os povos, valorizando assim todas as irmandades.

Podemos nos recordar, por exemplo, das tribos de Israel e os hebreus exilados que sofreram por 400 anos a escravido pelos faras Egpcios. Seria uma espcie de racismo o que eles sofreram?


(Hebreus no antigo Egito)


Atualmente, ou melhor, quase milenarmente, o racismo do Europeu sobre o Africano, os indgenas e os asiticos persiste. Muitos Reis, Papas e padres apoiaram e sustentaram essa crena racista atravs de uma passagem bblica. Trata-se de Gnesis, onde Cam foi amaldioado por No e deve ser um eterno escravo de seu abenoado irmo Sem.

Essa errnea distoro bblica apoia e d legitimidade para as barbries do racismo e da escravido, figurando num erro absurdo, j que o povo Canaanita, parentela de Cam, foi completamente extinto h milnios, segundo vrios biblistas e historiadores.

UM RAIO-X DO RACISMO


O racismo o mapa da fome e o mapa da violncia. Racismo o sistema de opresso. Racismo diferente de outros dois fenmenos; da discriminao e do preconceito. O racismo a explorao das pessoas, o prprio genocdio contra os povos africanos e indgenas. 70% dos jovens que so assassinados hoje em dia so afrodescendentes. o prprio genocdio em curso do governo brasileiro.


("Pare de nos matar!" - diz cartaz de jovem em passeata nos Estados Unidos)


Somente 5% dos cargos executivos so ocupados por afrodescendentes. Ou seja, no Brasil, a democracia racial no passa de um mito, j que a imigrao europeia em massa no incio do sculo XX embranqueceu e contribuiu com o plano de genocdio e higienizao. O projeto sempre foi reduzir a populao negra por meio de encarceramentos e assassinato.

Ento impossvel um branco sofrer racismo, porque o sistema que rege as leis criado pelos brancos e direciona a opresso para uma populao especfica. Um grande exemplo disso a prpria proibio da Cannabis, erva usada espiritualmente e milenarmente entre os povos pretos e pardos. O uso foi proibido no comeo do sculo passado como forma de controle e encarceramento legal dessas populaes.

MOVIMENTOS ANTI-RACISMO


Voltando nossa pesquisa para o sculo passado, movimentos surgem atravs de bons pensadores, seres afins vo se agrupando, mentes conectadas e lderes vo formando e agregando opinies. Tivemos grandes militantes dessa causa, que usaram da sua fora e inteligncia para contribuir com a causa da liberdade e do combate ao racismo com todo corao.


(Bob Marley, o maior dolo do terceiro mundo)


Com certeza o reggae serviu de grande instrumento e ponte para divulgao de ideias e ideais revolucionrios e anti-racistas entre os anos 70 e 80. O reggae a voz do oprimido. Bob Marley, Peter Tosh, Bunny Wailer, Burning spear, Steel Pulse, entre outras bandas e cantores jamaicanos, deixaram grifados em suas composies suas principais referncias: Haile Selassie I e Marcus Garvey, a militncia anti-proibicionista da cannabis e o pan-africanismo.

J no Rap americano dos anos 90, os jovens da periferia cantavam sobre as ideologias de lderes como Nelson Mandela, Malcolm X e os Panteras Negras. De qualquer forma, o tema liberdade e respeito, e interessante permear sobre as distines dessas ideologias, que podem parecer a mesma causa, mas as vezes serem duas foras antagnicas.

As formas de fazer justia e buscar reparaes pela escravido foram muitas nos ltimos sculos. Cito aqui a profecia de Marcus Garvey, fundador da UNIA:

Quando um Rei negro for coroado na frica, a redeno estar prxima!.

HAILE SELASSIE I


E essa coroao realmente aconteceu na Ethiopia em 1930, quando o "Rei Negro" a Majestade Imperial Qdamawi Haile Selassie I recebeu as honras ao lado da sua Imperatriz Menen I Asfaw, em uma coroao conjunta e igualitria, um homem e uma mulher coroados e governando juntos uma nao. Um fato histrico.


(Sua Majestade Imperial Haile Selassie I)


HMS Haile Selassie I tem uma grande importncia para histria contempornea, recebendo o ttulo de "Homem do Milnio", e no pra menos, pois foi ele que inseriu as naes africanas no contexto dos direitos humanos internacionais e quem desenvolveu a primeira constituio para um pas Africano, atualizando e ingressando sua nao na liga das naes e posteriormente nas Naes Unidas.

Foi tambm o fundador da Organizao da unidade Africana (OUA) em 1963, demonstrando seu grande foco como Rei no campo do desenvolvimento social, independncia e soberania industrial, tendo auxiliado muitos pases africanos a criarem suas prprias constituies e se libertarem dos sistemas coloniais de escravido.

A Majestade trabalhou muito para dar educao aos Africanos, inserindo-os nos campos profissionais internacionais. Sua liderana era espirituosa e seu tratado foi de paz e unio entre todos os povos, num governo que visava universalizar o mundo a tal ponto que se tornaria uma grande fraternidade humana.

Haile Selassie I um homem de paz e nunca gostou da guerra. Era um devoto humilde e fiel a Jesus Cristo e a Igreja Ortodoxa da Ethiopia.

Enquanto existir uma raa inferior e outra superior o mundo estar permanentemente em guerra!" diz trecho de um discurso de Haile Selassie I s Naes Unidas em 1966, versos estes que foram musicados pelo cantor Bob Marley na msica "War".

MARCUS GARVEY




(O profeta Marcus Garvey)


Tambm cultuado por diversos artistas do reggae mundial, sobretudo Burning Spear, Marcus Garvey no aceitou essa proposta de um mundo igual para todos como props Selassie I. Garvey no trabalhava para ser aceito pelo sistema criado pelos brancos e muito menos de fazer paz com eles. Ele dizia:

Europa para os Europeus, frica para os Africanos, China para os Chineses!

Garvey tinha sede de justia, e nesse perodo chegou a se reunir com lideranas da Ku Kux Klan para propor um plano de diviso da humanidade, onde brancos ficariam divididos entre a Amrica e Europa e os africanos todos regressariam para a frica. Neste meio tempo, Hitler tinha suas ideias higienistas de soberania da raa Ariana e queria dominar o mundo.

CONFLITO DE IDEAIS


Embora tenham vivido na mesma poca, as linhas de pensamentos eram desconectadas. Em seu exlio na Inglaterra de 1935 a 1941, Haile Selassie no concedeu uma visita solicitada por Marcus Garvey em Fairfiel House, onde o Rei residiu com sua famlia durante aquele perodo. Os ideais de Haile Selassie I eram messinicos, diplomticos e visava unir todas as raas e todos os povos para um benefcio internacional.

J Garvey tinha um sonho distinto e atacava verbalmente a Majestade de ser mais branco do que preto. Em 1937, escreveu um artigo na revista "The Black Man" - publicada em Londres - intitulado "O fracasso de Haile Selassie I como Imperador", dizendo que a Majestade era covarde e desleal, com um governo que. Para Garvey, o governo de Selassie I foi pattico. O artigo citado entrou para o livro de declaraes chamado "Marcus Garvey disse...".


(Conflitos entre Selassie e Garvey)


Garvey lutava pela supremacia preta, acreditava que o negro era superior ao branco e contribuiu muito no movimento pan africano em todo o mundo pela sua figura independente que estimulava o amor prprio, a auto confiana, o trabalho duro, a resistncia, a centralizao e a organizao.

Mesmo com o notrio conflito, o universo do movimento Rastafari enxergam em Garvey e Selassie pilares de exemplos e ensinamentos, dois lderes que com coragem e determinao buscaram justia e reparao para seu povo negro injustiado e castigado pela brutalidade milenar.

VINGANA NO JUSTIA


Podemos comparar essas histrias com a de Martin Luther King e Malcolm X, que tinham vises diferentes para debater o mesmo tema: os direitos civis dos negros americanos na dcada de 60.

A vingana no justia e violncia gera guerra, assim como perdo o gera a unio. Poeticamente ou revolucionariamente, fato que Martin Luther King foi premiado com um Nobel da Paz enquanto Malcolm X foi brutalmente assassinado.

A ARTE IMITA A VIDA


H rumores de que o finado escritor Stan Lee, famoso por ser o criador do Universo Marvel de quadrinhos, se inspirou nas histrias de Luther King e Malcolm X para criar os personagens Professor Xavier e Magneto respectivamente. Ambos mutantes, um busca ser aceito pelos humanos de forma pacfica, enquanto o outro prefere se vingar e acabar com a humanidade. Curiosamente os dois sempre so trados pelos humanos.




Com o passar dos anos, alm dos direitos civis, a histria dos "mutantes" foi abraada tambm pelo movimento LGBT+ na luta pela igualdade e aceitao. Obama e Nelson Mandela tambm tiveram a oportunidade de estar na cadeira presidencial dos seus respectivos pases, mas mesmo assim o racismo estrutural permaneceu vigorando mundialmente e poucas coisas foram mudadas.

Alm de cotas universitrias e profissionais para negros e pardos, precisaremos ainda de algumas dcadas ou sculos at que as diversas posies sociais sejam alcanadas verdadeiramente e, quem sabe, equilibradas entre os povos. Com tudo isso, esperamos que a humanidade olhe um pouco mais para suas razes e para suas origens.

Os primeiros seres humanos e as primeiras sociedades humanides so originrias da frica, somos todos africanos em essncia, somos a extenso da frica em sua origem. Negar a frica, negar a si mesmo. Tudo Africa!

preciso ter amor, preciso SER o amor, e fazermos aos outros o que gostaramos que fizessem por ns. Essa a maior regra da cincia Divina da vida. Tudo um espelho. Que a humanidade se una em um s corao de paz, amor e unio.




RasKadhu vocalista da banda de Reggae JAH I RAS.
Chairman da R.U.F Brasil (Rastafari United Front), RasKadhu visitou nos ltimos vinte anos ao redor do planeta algumas das principais comunidades e manses da Universalidade Rastafari em Shashamane (Ethiopia), Marcus Garvey Camp (frica do Sul), Templo del Sur (Chile) e Sede RUF (Brasil), conhecendo e convivendo com alguns dos principais organizadores Elders e Mamas da cultura, continuando seu trabalho pioneiro de aproximao e decodificao da cultura Rastafari para a lngua portuguesa.


Fonte: Ras Kadhu








 
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