21/11/2016
Parte 2: Para afugentar o Diabo!
 

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Esta é a segunda parte do texto de Ramiro Zwetsch, "Para afugentar o diabo", onde você fica sabendo mais detalhes da história do reggae envolvendo os maiores expoentes do ritmo jamaicano. Caso você não tenha lido a primeira parte desta coluna, clique no link abaixo:
 Parte 1: Para afugentar o Diabo!.

A ARCA PERDIDA


Não é exagero. “Soul Rebels” é quase uma cartilha para a evolução do reggae dali em diante. A parceria com Perry, no entanto, desandou. Os Wailers efetivaram os irmãos Barret em sua formação, assinaram contrato com a gravadora Island em 1972 e protagonizaram uma nova revolução no reggae com os álbuns “Burnin’” e “Catch a Fire” – ambos lançados em 1973 e produzidos pelo anglo-jamaicano branco Chris Blackwell, proprietário da Island. Perry ficou ressentido. “Foi Bob quem organizou tudo, com o dinheiro de Blackwell. Eles levaram meus músicos. Mas eu não guardo mágoas de Aston e Carlton porque o dinheiro fala mais alto”, disse, em uma entrevista de 1984.




Apesar das feridas não cicatrizadas, Marley e Perry continuaram amigos ao longo dos anos 70. Enquanto os Wailers ganhavam o mundo definitivamente, o produtor continuava com suas experimentações de estúdio e seria reconhecido como um dos maiores responsáveis pela febre do dub no mesmo período. Antes de sucumbir às cinzas, o fecundo Black Ark deu à luz um punhado de álbuns notórios de reggae e dub: “Police And Thieves”, de Junior Murvin (1977), “Party Time”, dos Heptones (1977), e “Super Ape”, The Upsetters (1976) são alguns exemplos.

O citado “War In a Babylon” é outro. Max Romeo foi integrante dos Upsetters em uma formação anterior à parceria com os Wailers. Até ali, tinha um único disco-solo, “Reveletion Time” (de 1975). Considerado “essencial para qualquer coleção de reggae” pelo All Music Guide, “War In a Babylon” reverbera não só pela química entre Perry e Max Romeo. A sonoridade quente pinga o suor de um discurso inspirado pelo calor do cenário político jamaicano.

BABILÔNIA FERVE


Às vésperas das eleições presidenciais, o clima era de tensão nas ruas e a truculência policial se espalhava. O cenário se projetava na letra de “War In A Babylon”:

War In a Babylon
(Guerra Na Babilônia)

Tribal War In A Babylon
(Guerra Tribal na Babilônia)

It Sipple Out Deh
(?????)

The Policeman No Like The Dreadlocks Man
(Os Policiais Não Gostam dos Dreadlocks)

The Dreadlocks Man No Like The Policeman, No"
(Os Dreadlocks Não Gostam dos Policiais).

Tais versos vinham embalados pela tal linha de baixo que chapou Bob Marley e pontuados por backing vocals rasgados e liderados por Marcia Griffiths (intérprete do hit “Feel Like Jumping” e uma das três vozes do grupo I-Threes, que acompanhavam os Wailers).

“A idéia veio do que estava acontecendo, da nova onda de violência que se arrastava. Decidimos escrever uma música sobre aquela situação e Perry deu a idéia. Ele disse ‘it rough out a street, things sipple out there’. Eu apenas acrescentei ‘War In a Babylon, a sipple out there’, e começamos a escrever a letra. Foram bons aqueles dias, Lee Perry tirava o melhor de mim”, disse Max Romeo em entrevista de 1994. A música é a última no lado A do vinil – mesma face que oferece ao ouvinte as outras duas melhores faixas do disco: “One Step Forward” e “Chase The Devil”.


(Michael Manley, o primeiro-ministro jamaicano)


A primeira abre o álbum com um recado direto para Michael Manley, primeiro-ministro jamaicano. Os versos “One Step Forward, Two Step backward (Um passo para frente, dois para trás)” introduziam a letra – uma sugestão de que o político não estava cumprindo com os compromissos socialistas e estava de rabo preso com Estados Unidos e Reino Unido. O arranjo acomoda a melodia melancólica no primeiro plano e, já na primeira faixa do disco, Romeo dá uma amostra de onde sua voz vai chegar ao longo do álbum. Seu falsete conduz a música ao transe com naturalidade, sem excessos.

O EXORCISTA


A mesma combinação ganha peso e balanço em “Chase The Devil” – talvez o ápice criativo da parceria entre Perry e Romeo. O groove da faixa, com vocal e tudo mais, serviu de inspiração para o Prodigy aproximar o reggae do breakbeat em “Out Of Space” e o refrão tornou-se relativamente conhecido dos devotos da música eletrônica.

A versão original, infinitamente melhor, leva o reggae ao êxtase. A linha de baixo flutua escorregadia como se desviasse dos golpes secos da guitarra rítmica no contratempo. Tudo muito simples e bem encaixado. A base aquece o timbre de Romeo e a alquimia ferve.




Enquanto a letra disserta em versos sinistros sobre uma desavença com o demônio, o caldeirão instrumental borbulha. “Lee Perry escreveu a letra. Ele tinha alguma controvérsia com o diabo, não sei se ele tinha alguma obsessão em fazer algo sobre o diabo.

Ele apareceu com a música sobre o enforcamento do demônio, que falava em cortar a garganta dele e jogá-lo no fogo. Daí eu disse: ‘Você não precisa fazer isso. Vamos apenas caçá-lo e enviá-lo à outra dimensão para ele encontrar uma nova raça’.”, diz o intérprete no encarte de “Arkology”. Com a intervenção de Romeo, a primeira parte da letra ficou assim:

Lucifer son of the mourning, I’m gonna chase you out of earth!
(Lúcifer, filho da lamentação, eu vou cacá-lo)

I’m gonna put on a iron shirt, and chase satan out of earth
(Vou vestir uma camisa de ferro e caçar satã pelo mundo afora)

I’m gonna put on a iron shirt, and chase the devil out of earth
(Vou vestir uma camisa de ferro caçar satã pelo mundo afora)

I’m gonna send him to outa space, to find another race
(Vou mandá-lo para outra dimensão, para encontrar uma nova raça)

I’m gonna send him to outa space, to find another race
(Vou mandá-lo para outra dimensão, para encontrar uma nova raça)”

Só essa tríade de clássicos já eleva “War In a Babylon” à condição de clássico do reggae – e essa constatação só ganha argumento com as outras faixas do álbum. Max Romeo atribui parte do êxito à magia que o Black Ark exalava sob os feitiços de Lee Perry. “Ninguém sabe qual era a técnica que Perry usava porque ele sobrepunha camadas para rechear os quatro canais. Era maravilhoso.

A vibração do Black Ark era única”, descreveu o intérprete para o “The Rough Guide To Reggae”. Infelizmente para o reggae, a parceria entre Perry e Romeo parou ali. As desavenças entre eles se tornaram insuportáveis e cada um seguiu seu rumo na música.


Fonte: Ramiro Zwetsch - www.radiolaurbana.com.br

Lee Perry

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